Quem perder Bolsa Família terá dificuldades para voltar ao programa

Quem perder Bolsa Família terá dificuldades para voltar ao programa
Quem perder Bolsa Família terá dificuldades para voltar ao programa – Reprodução

Quem perder Bolsa Família terá dificuldades para voltar ao programa.

O governo federal fechou a porta nos últimos sete meses de 2019 para quem pediu reingresso no programa Bolsa Família. Uma planilha obtida pelo UOL no portal de respostas da Lei de Acesso à Informação revela que, de junho a dezembro do ano passado, não houve qualquer reinclusão. A situação levou a uma queda de 74,5% no número de reingressos em comparação ao ano anterior.

Em 2018, 1,08 milhão de pessoas voltaram ao programa, seja por perda de renda na família que a faz solicitar reingresso, seja por saída causada por algum problema no cadastro. Em 2019, como só houve reinclusões até maio, esse número despencou e fechou o ano em apenas 276 mil.

A reportagem procurou ontem o Ministério da Cidadania para saber o motivo da não reinclusão de beneficiários durante junho e dezembro, e para saber se houve alguma reinclusão em 2020, mas não obteve resposta até o momento.

Quedas sucessivas

Desde junho, o número de famílias que vêm sendo incluídas no Bolsa Família despencou, e uma fila de espera — que havia sido extinta desde 2017 — voltou a ocorrer.

Para se ter uma ideia da queda, em maio, o programa beneficiou 14.339.058 famílias — um recorde do programa desde sua criação, em 2004.

Em dezembro esse número caiu para 13.170.607. Pouco mais da metade dos beneficiários do programa vive no Nordeste. De janeiro de 2017 a maio do ano passado, cerca de 250 mil novos beneficiados conseguiram ingressar por mês no programa em todo o país.

Essa taxa caiu para 5.400 de junho a outubro. A fila de espera do programa, segundo fontes do governo, já chega a um milhão de famílias. No final do mês passado, o UOL revelou que a fila de espera para entrar no programa chegava a durar dez meses.

Pouco emprego justifica volta

Pesquisador do tema, o professor Cícero Péricles de Carvalho, da Ufal (Universidade Federal de Alagoas), afirma que o retorno de 1,3 milhão de famílias ao programa, entre janeiro de 2018 e maio de 2019, se justifica principalmente pelas dificuldades no mercado de trabalho — que apresenta altas taxas de desemprego e de informalidade.

“Esse número vem aumentando regularmente desde 2014. Naquele ano, foram 104 mil famílias que voltaram ao programa. Esse número subiu para 423 mil em 2015, 519 mil em 2016 e chegou a pouco mais de um milhão em 2018”, afirma.

Para o pesquisador, em anos de crise e desemprego alto, o programa deveria ser ampliado, e não ter reduzido orçamento e número de beneficiários.

Carvalho lembra que o programa é reconhecido internacionalmente como “um excelente — e barato — redutor da pobreza e desigualdade”. O pesquisador afirma que políticos representantes de regiões mais pobres deveriam cobrar o fim da fila de espera do programa.

“Como seu público é o mais vulnerável, de renda mais baixa, caracterizado pela dispersão espacial e pouca organização política, sem capacidade reivindicativa, o programa termina como uma política pública, um direito cidadão que quase não apresenta apoio de parlamentares, prefeitos e governadores”, afirma.

Fonte: UOL

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